Às vezes você está andando pela praia e encontra uma bolinha dessas e não faz a mínima ideia do que seja. Certo?

Não se preocupe, vamos explicar tudo aqui. Confira!

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Cápsula ovígera de Adelomelon brasiliana (Lamarck,1811). Foto: Rossandra Calabrezi (direita); Andrei Nowtzki (esquerda).

Essa estrutura é conhecida como cápsula ovígera que é formada por adultos do caracol negro (Adelomelon brasiliana) através de sua reprodução. Essa cápsula pode conter de 5 a 33 embriões. Quanto maior a cápsula, mais embriões.

Existe um alto investimento energético na reprodução desses animais, sugerido pelas altas concentrações de proteínas e carboidratos no líquido presente dentro da cápsula, possibilitando um desenvolvimento e metamorfose completa dos embriões, em torno de 90 dias. Os embriões passam por cerca de 8 estágios de desenvolvimento embrionário até estarem preparados para o ambiente marinho.

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Estágios do desenvolvimento embrionário de Adelomelon brasiliana de acordo com Mahieu et al. (1974). Escala vertical: 600 µm. Escala horizontal: 1 cm. Fonte: Luzzato (2006).

Adelomelon brasiliana é o único volutídeo (família) sul-americano que possui cápsulas ovígeras liberadas diretamente na água. Essa capsula é capaz de se deslocar por até 700 km, o que pode ser interpretado como uma estratégia de dispersão instantânea da espécie.

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Concha de adulto de Adelomelon brasiliana (Lamark, 1811). Foto: Marcelo Rodrigues

Agora que você já sabe que se trata de um ovo cápsula, vamos conhecer um pouco mais sobre esse animal?

A espécie Adelomelon brasiliana é um molusco gastrópode marinho que ocorre no litoral do Brasil desde o estado do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina até a província de Rio Negro.

A. brasiliana é uma espécie dióica, ou seja, possui sexos separados, com machos e fêmeas. Os machos apresentam um pênis claramente visível, medindo até 20 mm e as fêmeas possuem um poro genital que é usado para a reprodução e para a desova das cápsulas ovígeras.

O modo alimentar é principalmente carnívoro, alimentando-se de outros moluscos e pequenos invertebrados marinhos.

Além disso, cracas ou anêmonas podem ocasionalmente utilizarem a concha de A. brasiliana para fixação, evidenciando uma importante relação ecológica entre essas espécies.

Referências

CLEDÓN, M. Repoductive biology and ecology of adelomelon brasiliana (molusca: gastropoda) off Buenos aires, argentina. Universität Bremen, Fachbereich 2-Biologie/Chemie, Tese de Doutorado, . Bremen, Land Bremen, set. 2004.

DE MAHIEU, G.C.; PENCHASZADEH Y, P.E.; CASAL, A.B. Algunos aspectos de las variaciones de proteínas y aminoacidoslibres totales del liquido intracapsular em relacion del desarrollo embrionario em Adelomelon brasiliana (Lamarck, 1811) (Gastropoda, Prosobranchia, Volutidea). (I) Cahiers de Biologie Marine. 15 (2): 215-227. 1974.

LUZZATTO, D. C. The biology and ecology of the giant free egg capsules of Adelomelon brasiliana Lamarck, 1811 (Gastropoda: Volutidae). Malacologia, 49(1):107-119. 2006.

WoRMS – World Register of Marine Species. Disponível em: <http://www.marinespecies.org/aphia.php?p=taxdetails&id=759016&gt;. Acessado em: 13/10/2017.

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